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A vida é mais que uma festa

Written by allenporto
O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, conta a história de Jay Gatsby, que se transformou, de uma pessoa pobre, em um ostentador. Tudo para conseguir se relacionar com Daisy, uma senhorita da classe alta.
Gatsby organiza festas chiques, extremamente bem frequentadas. Pessoas afluem para a sua mansão como os povos seguirão a Jerusalém (Cf. Miquéias 4.1,2). Gente convidada e não convidada, famosos e anônimos, todos querem desfrutar da experiência de uma noite na famosa mansão, organizada pelo famoso e misterioso Gatsby.
Mas é o narrador, Nick Carraway, que nota o contraste: o barulho da festa pode ser a fuga para não lidar com o silêncio ensurdecedor do coração; os sorrisos e abraços podem esconder a superficialidade das pessoas e das relações. Como Nelson Rodrigues notaria, as festas e os jantares chiques são pura vaidade.
Numa reviravolta da trama, Nick percebe — e se incomoda — com o fato de que todos aqueles amigos eram falsos, interesseiros. Como Salomão já havia notado:
“Os pobres são evitados
até por seus vizinhos,
mas os amigos dos ricos são muitos.” (Provérbios 14.20)
E todo o esforço era para ganhar o amor de Daisy, que, enquanto Gatsby foi à guerra, ainda um pobre, conheceu Tom, homem de sua classe social e com ele se casou. Tom é um menino inconstante e infiel, e vive o seu relacionamento tóxico com Daisy.
Tóxico. Essa é a palavra. Tanto Tom quanto Daisy, em sua mentalidade egoísta, eram tóxicos. Viviam de sua superficialidade, e, enquanto isso, causavam destruição a sua volta.
Novamente, Nick percebeu:
“Eles eram pessoas negligentes, Tom e Daisy; esmagavam coisas e criaturas, depois se protegiam por trás de seu dinheiro, ou sua imensa imprudência, ou o que quer que os mantivesse juntos, e deixavam que os outros limpassem a bagunça que haviam feito…” (Loc.3468)
No fim das contas, não se trata de ser apenas da classe alta, mas de um estilo de vida tão autocentrado que usa as pessoas para a sua satisfação, e, eventualmente, lhes causa a morte.
A mentalidade bíblica segue em direção oposta. A vida é mais que nossas vaidades, e as pessoas são mais que peças em nosso jogo.
“Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos.” (1 João 3.16)

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