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Eu não consigo!

black-and-white-person-woman-girlUma das maneiras mais comuns de se preparar para o fracasso é afirmar “eu não consigo”. Embora, via de regra, o uso da frase tenha a intenção de minimizar a nossa responsabilidade sobre nossas ações (afinal, não temos a capacidade de fazer), o resultado é reforçar a nossa irresponsabilidade e nos impedir de entrar na luta com todas as forças.

Não é raro, ao conversar com pessoas no âmbito do aconselhamento, ouvir a expressão. O jovem em luta com pornografia afirma não conseguir lidar com isso. A mulher pensando em divórcio afirma não conseguir viver com o marido. O adulto com dificuldades relacionais afirma não conseguir perdoar. E a lista segue, numa liturgia do pessimismo que reforça a inércia. Eu não consigo, por isso, não há nada que eu possa fazer.

Ao que parece, o uso da frase é tanto um recurso de vitmização (e autocomiseração), quanto uma justificativa para não fazer nada. Talvez, um pouco mais fundo, seja uma estratégia psicológica para lidar com a frustração — já que tentativas anteriores deram errado, ou já que eu tenho medo de tentar e sofrer com erros, é melhor partir do pressuposto de que eu não consigo e não me sentir tão frustrado.

O problema é que cada etapa dessa estratégia é problemática e pecaminosa. A vitimização e autocomiseração são expressões práticas de egoísmo idólatra. A justificativa para não agir é, na verdade, desculpa para a desobediência. E o medo de se frustrar é a rejeição da vontade alheia (especialmente de Deus), para que a minha vontade seja cumprida.

Acima de tudo, no caso dos cristãos, a afirmação “eu não consigo” é mentirosa. A Bíblia desmente o ponto de várias maneiras.

Primeiramente, somos lembrados de que não somos provados além das nossas forças (1Co.10.13). Em sua graça, Deus não permitirá que venha sobre nós um peso insuportável. Todas as lutas que enfrentamos passam pelo crivo do Senhor, e só são aprovadas se estão de acordo com nossa condição.

Depois disso, somos lembrados que Deus providencia não apenas a luta, mas também a graça para suportar os desafios (também em 1Co.10.13). Para cada batalha específica existe uma dose de graça do alto, capacitando-nos a lidar com a questão.

Finalmente, somos lembrados que já possuímos, em Cristo, todos os recursos para a vida diante de Deus (2Pe.1.3). Na prática, isso significa que Deus já me deu tudo o que eu preciso para encarar os piores conflitos da minha vida.

Então como devemos olhar para as lutas? A partir das verdades bíblicas, nosso mindset deve operar na seguinte base: “isso é bastante difícil para mim, mas pela graça de Deus eu posso encarar”. Reconhecer a dificuldade é não idealizar vitórias fáceis e imediatas; reconhecer a graça é não ceder ao desânimo e desespero.

Lembramos que as nossas lutas são sombras da maior de todas as lutas, enfrentada na cruz. Porque Ele sofreu e venceu, a graça nos foi dada para as batalhas do dia a dia, e com ele caminharemos em vitórias e derrotas, até que nossa redenção seja completa.

Vem, Senhor Jesus!

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