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Metáforas da paternidade #2: O banho

Written by allenporto

302338579_500401e11f_bBanheiras podem ser perigosas. Talvez você conheça relatos de afogamento e coisas do tipo, mas não é disso que eu queria falar. Falo do incômodo que uma banheira pode causar a um bebê.
Nem todos são assim, é verdade, mas permita-me usar o meu filho como exemplo. Logo que Matias nasceu, teve início a difícil tarefa do banho. Difícil para mim, pai de primeira viagem. Tendo lido e estudado o assunto, segui meticulosamente as instruções: temperatura da água, maneiras de pegar o bebê, sabonetes recomendados, etc., etc. Eu só não contava com uma coisa: o bebê em si.
Nos primeiros dias, Matias tinha uma incrível resistência ao banho. Talvez não pelo banho propriamente, mas pelo incômodo de tirar a roupinha e ficar com frio até entrar na banheira. Possivelmente o primeiro contato com a água e a sensação diferente poderiam ser causa de estranheza, e também incômodo. Talvez o próprio fato de ser manipulado com a barriga para cima, depois para baixo, e ter mãos o esfregando (ainda que gentilmente), poderia ser fonte de agonia. O resultado era um banho regado a lágrimas. Todas as vezes que chegava a hora de limpar o bebê, já nos preparávamos para o choro.
E eu, que vivo tentando fazer conexões meio malucas, logo pensei no banho de Matias como uma metáfora da purificação que Deus realiza em minha vida.
A santificação operada por Deus em nós é, à sua maneira, incômoda. É doloroso ser corrigido de certos hábitos destrutivos, mortificar a carne, abrir mão de alguns ídolos, e voltar atrás em erros cometidos. É de chorar mesmo.
3278507922_e43fa0f8d4_bPor vezes Deus é o pai amoroso que nos leva às águas enquanto nos debatemos em Seus braços. Ainda não percebemos que a paz depois do banho é muito melhor do que a comodidade da sujeira. Mas o Senhor sabe do que precisamos, e por isso, ainda que façamos grande barulho, Ele pacientemente nos lavará das impurezas, e nos fará novos.
Banheiras podem ser perigosas — ali seremos expostos (em nudez); seremos esfregados; sofreremos choques de temperaturas; tudo para que as impurezas façam parte do nosso passado, e não do presente.

PS: Depois que descobrimos a maravilha do banho de chuveiro, Matias parou de reclamar e curte a água. A gente aprende com o tempo!

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